terça-feira, 16 de março de 2010

Em busca do som

Ouvia alguém chamar por mim, a voz era ao mesmo tempo estranha e familiar. Olhava à minha volta, voltava a olhar, mas não via ninguém. Encontrava-me só e num local que não conseguia identificar.

Caminhei em direcção à voz que continuava a ouvir, a curiosidade obrigava-me a dar passo atrás de passo em direcção ao som. Por vezes parecia perto, por outras parecia que ainda teria que percorrer um longo caminho.
Sentia-me como um fantoche, como se alguém puxasse os fios que comandavam o meu corpo. Não sei quanto tempo caminhei nem por onde, sei apenas que seguia o som da voz que sentia cada vez mais perto.

Comecei a interiorizar aquela voz e a tentar imaginar a pessoa por detrás do som. Sabia que era homem pelo acento grave do tom mas seria alto ou baixo, seria louro ou moreno, teria olhos escuros ou claros. Saberia tudo isso quando me encontra-se com "a voz".
Num determinado momento do meu percurso parei subitamente, o meu corpo queria continuar mas as cordas que o comandavam não possibilitavam qualquer movimento. Continuava a ouvir a voz mas agora ao longe. Entrei num estado sonolento que não me permitia perceber o quão longe. Continuei a ouvir a voz, não me lembro o que dizia apenas que me embalou até adormecer.

1 comentário:

  1. E como diria um marinheiro, ao sair do porto de abrigo, quando o mar o chama: Está na hora de navegar...soltem as amarras! :)

    Gosto do que escreves e da forma como o fazes...
    Beijinhos

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