sexta-feira, 12 de março de 2010

Partir a corrente

Um dia alguém me disse que o lugar do passado é nos museus, e que as múmias das nossas vidas deverão aí ser guardadas. Sempre o soube, e ainda hoje sei, que é importante que o façamos para que possamos viver em plenitude o presente, mas parece que "faço questão" de andar com as minhas múmias atrás.
Existe uma corrente pesada e grossa que me prende a elas, tão grossa e pesada que por vezes nem consigo caminhar.

Esta afeição às múmias é de facto estranha e um pouco masoquista. Há gostos para tudo.

Não será bom ter umas múmias de estimação, alimentá-las, dar-lhes banho, fazer-lhes o jantar e tudo o mais para que eles se sintam ali bem e não queiram ir embora? Para que continuem a assombrar a nossa vida e a não nos deixar viver o presente!

Fiz várias tentativas para mandá-las embora; se um dia as expulsava, no outro clamava pela sua presença. Frequentes vezes um passo dado representou não um passo em frente mas vários passos atrás.

Serei demasiado frágil e fraca para "matar" as minhas múmias?


1 comentário:

  1. "Fragilidade, teu nome é mulher"...pelo menos para Shakespeare assim o era. :) Por isso, e tendo em conta as mulheres que fui conhecendo ao longo da minha vida acredito que a mulher sempre foi e será forte e sei que parte da força da mulher vem da sua fragilidade e da consciência desta...

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