segunda-feira, 5 de abril de 2010

Folhas

O medo persistia mas senti a coragem de espreitar uma folha apenas. Espreitei com cuidado e li algumas palavras. Tremia por dentro, no meu íntimo queria que todas aquelas letras formassem as palavras que mais desejava ouvir.
Tomei consciência do que fazia, do que esperava e do que sonhava. Sabia que não poderia construir romances com o conjunto de letras que espreitava mas continuei por breves momentos a sonhar.

O sonho comanda a vida, mas também nos acorrenta a vãs esperanças de algo que poderá não acontecer.
Não esperar nada é não viver, esperar demasiado é padecer.
Haverá meio termo? Não sei porque espero demasiado, vivo demasiado, amo demasiado, sofro demasiado. Conseguirei não esperar, não amar, não sofrer? Talvez não porque isso significaria não viver.

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