segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Crescer

Era uma vez uma menina que havia vivido parte da sua vida oprimindo as emoções, os sonhos e a concretização. A vida não lhe sorrira da forma que idealizava. Queria outra família, outros amigos, outra condição social. Do alto da sua meninice e ingenuidade gritava por outra vida que não a sua.

Os anos foram passando e a menina cresceu. Cresceu com as mesmas correntes, as mesmas convicções que em menina lhe tinham passado. Vivia com medo do desconhecido, com insegurança, falta de auto-estima.
Desenhava os seus sonhos, ou melhor os seus castelos, mas na maioria das vezes nada fazia para os construir.
A menina-mulher foi prisioneira até ao dia que alguém lhe disse "Escava dentro de ti. É lá que está a fonte da felicidade, e esta pode jorrar continuamente se escavares bem; "Agradece pelo que és, pelo que foste e pelo que serás. Agradece o que tens, o que tiveste e o que terás. Agradece o que vives, o que viveste e o que viverás".

De início, aquelas palavras bonitas, com um significado imenso, faziam todo o sentido, mas na sua vida parecia que não encaixavam. Carregava nas suas costas um saco tão grande de tristeza e mágoa que cada passo era penoso e em sofrimento. 
Como iria conseguir ver-se livre dele após tantos anos a carregá-lo cuidadosamente? Seria mais penoso largar o saco ou agradecer pelo seu conteúdo?
Aos poucos foi conseguindo deixar para trás cada uma das pedras que havia carregado durante anos. Cada pedra retirada do saco era um vitória. O caminho foi, e continua a ser difícil, mas com o saco quase vazio a menina que hoje é mulher é grata pela sua vida, ama-se a si própria e transmite uma luz de felicidade.

Os obstáculos continuam a aparecer mas hoje a menina-mulher em vez de amá-los e os colocar no seu saco, contorna-os, salta por cima deles ou simplesmente recua e opta por outro caminho. O caminho da gratidão, do amor e do sonho. O caminho da felicidade

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